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3 coisas que toda startup tem em comum

Autor: Guga Gorenstein - Data: 29/04/2014

Aproveitando a onda de fomento que o Brasil vem vivendo, há um número grande de startups nascendo pelo país (e isso é bom demais). Tem startup de todos os tipos, jeitos e cores. Tem gente criando hardware, tem gente oferecendo serviços, produtos, apps e games. São tantas variedades de startups que parecem que elas não têm nada em comum, a não ser, serem startups. Pois, já dizia o professor John Mullins, autor do Livro "The New Business Road Teste" (recomendadíssimo), com quem tive a honra de estudar: independente do setor, área de atuação ou modelo de negócio, há três coisas que toda startup na fase inicial tem em comum. John continuava, "se engana quem acha que é tudo diferente, todos começam com os mesmo desafios" e ia mais longe, chegando aos três pontos principais, anunciados inicialmente.

Como primeiro ponto, John dizia que: no começo de qualquer projeto os fundadores tinham aquilo que eles sabiam que sabiam. Por exemplo, eles sabem que o mercado é do tamanho X, tem a previsão de continuar crescendo a uma taxa Y por W anos. Sabem que já existem essas soluções que resolvem parte do problema ou necessidade, e por aí vai. Essas são as certezas que movem o empreendedor a começar a validar a sua startup. Que o tiram da cama de manhã e, os devolvem tarde da noite. São as bases do futuro negócio.

Há também outra coisa em comum: aquilo que as startups sabem que não sabem. Será que vai crescer mesmo? E será que o mercado vai pagar o que a gente quer cobrar? E se o Google entrar? Como eu crio uma barreira de entrada? Como eu saio no startupi? Dúvidas como essas são as premissas que, muitas vezes, precisam ser validadas para que a startup consiga seguir em frente crescendo. São os primeiros “ToDos” de uma equipe.

Por último vinha o terceiro ponto em comum, e talvez o mais importante: as coisas que os fundadores não sabem que não sabem ou, em inglês, "The Unknown Unknows". E, segundo John Mullins, essas coisas que as startups não sabem que não sabem podem ser o que as levam para o céu, ou para o inferno. Essas são as coisas que não se descobre com questionários do mailchimp ou com pesquisas pelo facebook (não estou dizendo que estes tipos de pesquisa não funcionam para nada, apenas que neste momento não tendem a ajudar), pelo simples fato de que parece difícil colocar uma pergunta em questionário de uma coisa que você não sabe que não sabe.

Essa descoberta de algo que o business ainda não tinha planejado pode ser o encaixe perfeito do produto com a necessidade do mercado, pode ser o encaixe que faltava para um público alvo, pode ser uma forma de cobrar mais fácil de ser aceita ou até a redução de um produto para uma determinada fração dele, que é o que o mercado está realmente interessado. Afinal de contas, quem vai pagar pelo produto é o mercado e nada mais justo do que deixá-lo nos dizer o que é uma solução boa e pela qual estaria disposto a pagar. 

Já até sei o que você está pensando: "É, faz sentido, mas como eu faço para descobrir o que eu não sei que não sei?". Primeiramente, entender que não é fácil ou rápido, mas, como já falamos, pode te levar ao sucesso ou antecipar o fracasso. Comece transformando a sua entrevista ou questionário em uma boa conversa, na qual o fundador irá ouvir muito mais do que falar, aprender muito mais do que catequizar e receber muito mais do que vender. Dessa forma, você tem a oportunidade de começar a aprender coisas que nunca imaginou... imaginar.

Guga Gorenstein é CEO e co-fundador do poup.com.br, empreendedor apoiado pelo programa Startup Network, da Endeavor Brasil.