SÓCIOS NA MÍDIA

Gestor da B2L comenta o IPO da BTG no Brasil Econômico

Fonte: Brasil Econômico - Data: 17/10/2011

À espera do IPO, BTG vira gigante das fusões Adicionado em 7/10/2011
 

Banco comandado por André Esteves faz 27 compras em dois anos e se credencia perante investidores para chegar à bolsa

Na cartilha do mercado de capitais, há três condições consideradas básicas para que uma empresa seja bem-sucedida ao chegar à bolsa de valores: ter uma história de sucesso, um plano de negócios bem costurado para apresentar aos investidores e gestores competentes. Considerado por especialistas como candidato natural a uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em um futuro próximo, o BTG vem apresentando suas credenciais nas três categorias.

Ao longo dos últimos anos, o banco comandado por André Esteves virou uma autêntica máquina de comprar e vender empresas. Segundo um levantamento preparado pelo BRASIL ECONÔMICO, desde 2009 adquiriu 27 companhias. Com isso, o banco só ficou atrás da Petrobras em número de negócios de fusão e aquisição, superando tradicionais compradoras do mercado brasileiro como BR Malls, Lopes e Hypermarcas.

A pesquisa considera negócios que foram anunciados publicamente e inclui participações de controle ou fatias de empresas compradas pelo banco ou seus fundos. “O BTG tem sido muito ativo, adquirindo empresas dentro e fora do país, dos mais variados setores e tamanhos, o que tem se demonstrado uma estratégia acertada para aproveitar o crescimento brasileiro e enfrentar a crise internacional”, define Alexandre Pierantoni, sócio de finanças  corporativas da PwC.

O fato de estar atento a bons negócios, estejam eles em grandes, pequenas ou até mesmo em empresas em busca de socorro financeiro — caso do banco Panamericano — tem ampliado muito o poder de fogo do BTG, acredita Rubens Serra , sócio da B2Law, uma rede de advogados que faz a intermediação entreempresários fora do eixo Rio- São Paulo e potenciais compradores de empresas. “O BTG já mostrou que tem interesse em consolidar segmentos como varejo farmacêutico e hospitais e está com muito apetite para ir às compras no Nordeste”, prevê o advogado.

Serra afirma que o banco ainda é desconhecido fora dos grandes centros brasileiros, mas tem tentado romper essa barreira. “Eles têm um time capaz de identificar negócios sofisticados, mas também estão muito interessados em se aproximar dos pequenos e médios empresários, com os quais estão as melhores oportunidades.”

Filho único Sob os holofotes pelo destaque e visibilidade obtidos por seu desempenho na compra e venda de empresas, o BTG que ruma à bolsa preserva o DNA de um banco de investimentos nato. “A atividade de private equity e compra e venda de empresas é apenasumsuporte que se desenvolveu naturalmente pelo acesso que o banco tem aos grandes investidores internacionais”, diz Ricardo Mollo, professor de finanças do Insper.

“Eles são bons gestores de fundos e de fortunas e são muito agressivosem assessoramento de fusões, aberturas de capital e estruturação de títulos de dívida”. Esse conjunto, acredita Mollo, daria ao banco, de saída,um diferencial em relação às demais instituições financeiras cujas ações são negociadas atualmente na BM&F Bovespa.

“Hoje os investidores podem optar por comprar papéis dos bancões de varejo ou dos pequenos e médios que atuam em nichos. O BTG seria um novo produto na prateleira da bolsa”, projeta Mollo. O fato, no entanto, é que o BTG não tem pressa. Sabe que está mais preparado para a bolsa nesse momento do que o contrário. Além disso, o banco pode se dar ao luxo de aguardar a volta do apetite do mercado para abrir o capital.

O banco está com o caixa reforçado, fruto de um aporte de US$ 1,8 bilhão que recebeu de um consórcio de investidores internacionais ao final do ano passado pela venda de 18% de seu capital. Para o professor do Insper, enquanto espera que o mercado acionário volte à normalidade, o BTG terá tempo suficiente para colocar em prática sua estratégia de internacionalização, algo que pode tornálo ainda mais interessante aos olhos do mercado. “A intenção de buscar associações no Chile e na Colômbia e parcerias na Ásia está alinhada com essa estratégia.”

Fonte: Brasil Econômico